Na quarta-feira, 24 de setembro, 16 pessoas ligadas a paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Afonso Cláudio, em mutirão com alunos e funcionários da ADL, trocaram as 721 telhas de Eternit que foram danificadas pela chuva de granizo que ocorrera no dia 14 de setembro. Essa ajuda foi de suma importânicia, pois a ADL conta com uma equipe extremamente reduzida, assim, sem esse apoio, o reparo teria de ser bastante postergado. Dessa forma, queremos expressar nossa gratidão a todos que colaboraram nessa empreitada, permitindo que a estrutura desta casa, que enfrentou muitas intempéries aos longo de 4 décadas, superasse mais essa dificuldade.
domingo, 15 de março de 2009
TEM GENTE NOVA NA CASA
“Pela vida te vejo caminhado, são promessas que depressa vais cumprindo.
Tu não sabes, mas vou te acompanhando quero ser teu irmão”. José A. Santana)
Antes de iniciar a escrever este texto para me apresentar aos leitores deste site me veio em mente a estrofe de um hino descrito acima. Sinto-me caminhando pela vida e as promessa da presença Deus me acompanhar, por onde quer que eu ande. Um pouco desta caminhada quero relatar para me apresentar.
Nasci em Colatina, no ano de 1958. No final do ano de 1979 realizei um sonho que tive desde jovem: estudar. Fui para Casa Matriz de Diaconisas onde tive minha formação diaconal. Em 1982 ingressei na Irmandade da IECLB, por isso também sou Irmã; e mais tarde cursei o curso de música no Instituto de Música. Sendo assim, cheguei a residir 18 anos no Rio Grande do Sul.
Desde 1998 até 2006, atuei como obreira Diaconisa na Paróquia de Espigão do Oeste. RO. Além de muitas outras atividades nas comunidades a música recebeu a ênfase maior.
Em setembro do ano de 2001 me casei com Vital Schliwe que é natural de Santa Maria ES, mas que já residia 21 anos em Espigão do Oeste. Não temos filhos.
No ano de 2007, continuei morando em Espigão do Oeste como obreira licenciada. Neste mesmo ano, fiquei sabendo de uma vaga na ADL.Candidatei-me para esta, fui aceita, logo as minhas atividades iniciaram nesta instituição no início do mês de fevereiro. Em especial vou acompanhar o trabalho de música onde a ADL pretende ampliar o curso e auxiliar na coordenação dos trabalhos Diaconais (estágios, visitas, aconselhamento e na ministração de aulas). Agradeço a Deus por poder servi-Lo. Agradeço a Deus por poder acompanhar os jovens e as jovens em busca de crescimento em todas as áreas das suas vidas.
Diaconisa Siglinda Braun
ADL recebe Diaconisa com vigor renovado!
É com muita alegria e com ânimo renovado que a Associação Diacônica Luterana (ADL) recebe em seu quadro de obreiros/as a Diaconisa Siglinda Braun Schliwe para morar e atuar junto a jovens em sua formação de lideranças. A diaconia é a bandeira da ADL: servir a Deus com o serviço ao próximo, seja na dedicação à Comunidade, seja na vida diária. Com a vinda da Diaconisa Siglinda, espera-se continuar a tarefa diaconal partindo da prática. Tarefa essa que compete a todas as Comunidades e a todas as pessoas cristãs. Siglinda Braun Schliwe é casada com Vital Schliwe e tem sua formação diaconal pela Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo/RS, bem como é formada no Curso de Qualificação Profissional em Instrumentos Musicais pela EST (Escola Superior de Teologia), também em São Leopoldo. Desde 1982 integra a Comunhão de Irmãs Diaconisas da IECLB. Cursou Auxiliar de Enfermagem no Hospital Montenegro/RS, onde também atuou em seguida. Foi coordenadora do Asilo Pella Bethânia (lar de pessoas idosas), em Taquari/RS, por três anos. Desde 1998, atuou na Paróquia de Espigão do Oeste/RO, onde trabalhou especialmente na formação de músicos e lideranças diaconais. Tem a música como instrumento de diaconia no serviço ao enfermo, enlutado e necessitado. A Diaconisa Siglinda entende que “a música massageia as almas aflitas e tristes e eleva os corações alegres em louvor e gratidão a Deus”.
Vindo de Espigão do Oeste/RO, foi eleita para atuar na ADL, onde está desde fevereiro deste ano. No último dia 27 de abril, foi instalada como Diaconisa da ADL, sendo o Culto de Instalação celebrado junto à Comunidade de Serra Pelada, com a participação de muitos de seus familiares e amigos, bem como dos obreiros: P. Sinodal Osmar Lessing, P. Siegmund Berger, P. Lourival Ernesto Felhberg, P. Emerson Lauvrs, P. Eloir Carlos Ponaht, P. Simão Schreiber, P. Marcos César Vollbrecht, P. Ronei Odair Ponaht e Cat. Daniel Ricardo da Costa. Alunos e Professores da ADL e membros da Comunidade prestaram homenagens e participaram com alegria e entusiasmo, embelezando com seus dons o Culto oficiado pelos obreiros presentes. P. Eloir conduziu a pregação, destacando a importância de todas as comunidades terem presente que a ADL pertence a elas e, portanto, fica o desafio de estarmos ao lado da Diaconisa Siglinda, apoiando e colaborando na formação de jovens. P. Sinodal Osmar oficiou a Instalação, ressaltando que a ADL é um braço estendido das Comunidades na tarefa diaconal e, ao mesmo tempo, tem sua atuação a serviço de todas as Comunidades de forma conjunta, no tocante à formação de lideranças. Nossas boas-vindas à Diaconisa Siglinda!
ADL em processo de reforma
Em maio, foi iniciada a reforma da ADL. Este momento já estava sendo esperando por algum tempo. Pode-se ver a baixo que esta reforma só está começando e ainda falta bastante para completar esta tarefa.
Campanha para a reforma da ADL
Amigos e amigas
Há mais de 20 anos a ADL não passa por uma reforma geral. Infelizmente, com o decrescente número de alunos de outrora, os recursos foram se tornando cada vez mais escassos, fazendo-se, naquele momento, necessário priorizar a manutenção interna da casa, deixando, infelizmente, a estrutura física para um segundo momento.
No entanto, como é do conhecimento de todos, chega um momento em que adiar não se faz mais possível; esse momento chegou. Não há mais como protelar a reforma, e o número de alunos que outrora não alcançava duas dezenas já ultrapassa 50, enquanto que a precária estrutura é a mesma.
Por outro lado, a ADL não gera renda, sobrevivendo quase que exclusivamente de doações. Como a grande maioria dos alunos tem uma situação financeira difícil, não consegue sequer auxiliar na sua alimentação, quem dirá seus pais abraçarem a reforma da estrutura física.
Na página inicial do nosso site está a logomarca da ADL, sendo segura por diversas mãos. Tal como na logomarca, contamos com muitas mãos para o empreendimento dessa reforma.
Sabemos que não importa o tipo de trabalho que estejam executando, a grande maioria dos ex-alunos da ADL faz a diferença no contexto onde estão inseridos, mostrando, dia-a-dia, a cara da ADL por meio de seu jeito de ser e de viver. Isso é gratificante e nos motiva a continuar.
E, baseados nessa certeza, vimos solicitar, mais uma vez, a sua ajuda. Conversem com amigos, falem sobre a ADL, visitem pessoas ou empresas que possam ajudar.
E de nossa parte, levem a certeza de que continuamos formando jovens que em seu dia-a-dia trabalham para construir um mundo melhor.
Que Deus abençoe todas as mãos que, a exemplo do logotipo, unem-se em torno de mais esse objetivo.
Doações através do Banco do Brasil
Agência: 0761-7
C. Corrente: 3.005-5
Mais informações através do e-mail adl.direcao@uol.com.br
domingo, 8 de março de 2009
Palestra para o dia da mulher
Palestra proferida pelo Diretor da ADL, P. Siegmund Berger na referente ao Dia Internacional da Mulher (08 de março)
As mulheres, na política, representam hoje menos de 10% do total dos prefeitos eleitos e menos de 15% dos vereadores. No Congresso Nacional, a bancada feminina é composta por poucas senadoras e por poucas deputadas federais. No Poder Judiciário, uma mulher passa, pela primeira vez, a ocupar uma vaga de ministra no STF.
Em 2001, as mulheres representavam 44% do mercado de trabalho, mas recebiam uma remuneração 41,3% menor do que a dos homens. E isso se dava apesar de 42% delas já terem concluído o segundo grau; esse índice, entre os homens, é de 26%, segundo dados do Dieese.
As mulheres ocupam 44% do mercado de trabalho, mas a remuneração média é 41,3% menor do que a dos homens. Na área rural, as mulheres conquistaram o direito ao título da terra, antes destinado apenas aos homens. Basta lembrar as máquinas de costura, as vacas e os cavalos que eram doados como herança em detrimento dos homens que eram contemplados com propriedades agrícolas.
Já na herança a mulher era jogada nas mãos do marido. Ela não tinha formação escolar, não tinha possibilidade de trabalho fora e nem isso era bem aceito. Conseqüentemente seu futuro era servir de cama e mesa para os maridos e cuidar dos filhos.
No Brasil, temos mais 1 milhão de mulheres jovens grávidas todos os anos e uma mulher sofre uma agressão a cada quatro minutos. São dados da CPI da Violência Contra a Mulher, do Congresso Nacional. E, segundo dados da Sociedade Mundial de Vitimologia, 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas a algum tipo de violência doméstica.
A mulher, no Brasil, continua a ser vista como uma extensão ou uma propriedade masculina, o que confere ao homem o pretenso direito de dispor de sua liberdade, de seu corpo e de sua vida.
Por todas essas razões, tomamos um susto quando, recentemente, ouvimos no rádio músicas que vêm fazendo sucesso e foram hits no Carnaval. Falam que "tapinha não dói" ou que a mulher gosta de levar "tapa na cara". A mais recente é a música do “Créu”. Pode incitar à violência sexual.
Como é tristemente evidente, letras de músicas como essas refletem o cotidiano de violência contra a mulher, no qual a agressão é encarada como algo intrínseco às relações entre os sexos. Tanto que tais canções pretensamente falam do tapa sem que isso signifique perversão, desrespeito ou agressão.
Temos de ficar atentos quanto ao retrato da mulher feito pela mídia. Uma barreira pode ter sido quebrada. Depois do tapa, o que mais virá? Estupro, esquartejamento, chicoteamento, queima na fogueira?
A violência contra a mulher precisa ser denunciada. Não se pode mais aparecer com o olho roxo e dizer que caiu da escada. A valorização da mulher passa pela não aceitação de sua situação de semi escravidão imposta pelos maridos. A valorização da mulher na sociedade passa pelo reconhecimento, não apenas de sua capacidade produtiva, mas da sua índole de ser Mulher, de ser gente, de ter garantido o seu espaço. Isso precisa ainda ser conquistado em muitos lares e precisa ser ensinado para as meninas e os meninos. Essa tarefa pode ser desempenhada pelas mulheres. Basta um novo olhar para a sua realidade. Quando a gente se sente preso a um buraco é necessário olhar para outra direção e parar de cavar aquele buraco.
sábado, 25 de agosto de 2007
A ADL como importante centro de formação diaconal
Texto: A história do ministério diaconal na IECLB (Estudos Teológicos, v. 47, n. 1, p. 144-165, 2007)
Gisela Beulke (Profa . Ms. Gisela Beulke é diaconisa e professora da cadeira de Diaconia na Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo, RS.)
A ADL como importante centro de formação diaconal
Desde 1979, a casa de formação em Serra Pelada é conhecida como ADL (Associação Diacônica Luterana). Ela preparou homens e mulheres para o diaconato na IECLB, desde 1956 até fins de 1998. Além de práticas comunitárias durante o período de estudo, a formação também incluía períodos de estágio em comunidades e instituições diaconais e sociais, valorizando sempre a música. Essa casa de formação diaconal foi e é muito importante para a IECLB, em especial para o estado do Espírito Santo e suas comunidades luteranas. Sem os ex-alunos da ADL, a IECLB seria mais pobre e, possivelmente, o Espírito Santo teria sido privado de lideranças qualificadas com valores éticos e profissionais. A partir de 1999, quando a formação para o diaconato é assumida pela Escola Superior de Teologia, a ADL não deixa de ser um centro de formação diaconal importante na IECLB. Ela encontrou sua missão no preparo de lideranças comunitárias com enfoque diaconal, priorizando a música e o cultivo cuidadoso e responsável da terra. Obreiros e obreiras diaconais formados na Associação Diacônica Luterana realizaram trabalhos pioneiros muito importantes. Inicialmente, alguns ex-alunos da ex-Escola Bíblica (ADL) assumiram tarefas pastorais, após se formarem. Muitas/os ex-alunas/os realizaram e realizam trabalhos comunitários importantes, colocando significativas marcas diaconais em comunidades e instituições da IECLB. A ADL também foi sempre um centro catalizador de vocações para a EST (Escola Superior de Teologia).
As comunhões diaconais
O apoio mútuo entre obreiros e obreiras diaconais foi sempre uma característica do diaconato. A irmandade tem como tradição a vida comunitária, onde o fortalecimento mútuo na fé e no serviço sempre foi fundamental. O iniciador da formação dos diáconos no Espírito Santo fez questão de chamar a instituição em Serra Pelada de Casa de Irmãos [Brüderhaus], para deixar claro que o ministério precisa do apoio de irmãos15. Quando as primeiras alunas do Seminário Bíblico-Diaconal se formaram em São Leopoldo, não tiveram dúvida sobre a importância de também formarem uma comunhão, a fim de vivenciarem a solidariedade mútua nas questões pessoais e profissionais. A fundação da segunda comunhão diaconal brasileira aconteceu no dia 31 de outubro de 1976, na ADL, quando ex-alunas do Seminário Bíblico-Diaconal se uniram com ex-alunos e ex-alunas da ADL, na Comunhão de Obreiros e Obreiras Diaconais. Desde então, existem na IECLB duas comunhões: a comunhão das diaconisas, que formam a Irmandade Evangélica Luterana, e a comunhão dos diáconos e das diáconas, formando hoje a Comunhão Diaconal, mais conhecida por COD. Mesmo formando grupos com identificação própria, as comunhões abraçaram juntas diversas causas diaconais. As décadas de setenta e oitenta estão marcadas pela busca conjunta de maior eficiência e valorização da diaconia. Muitos encontros tiveram como objetivo o fortalecimento da unidade e a formação continuada de seus membros. Uma temática constante foi a organização da diaconia na IECLB e o resgate do lugar do ministério diaconal na Igreja. Fazer parte de uma das duas comunhões era, até o ano de 2002, condição para quem desejava assumir o ministério diaconal. Com a elaboração de um único estatuto para os diversos ministérios, não foi mais possível manter essa ligação estreita entre comunhão e ministério.
Texto na integra em http://periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/download/527/489
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Ervino Schmidt representa Presidência no cinqüentenário da ADL
O pastor Ervino Schmidt, Diretor da ADL nos anos de 1970 a 1975, representou a Presidência de nossa Igreja, na celebração dos 50 nos da Associação Diacônica Luterana- ADL, realizada no último dia 9 de julho, em Afonso Cláudio, ES.
Na mensagem enviada pela Presidência foi lembrado o início da instituição, como “uma iniciativa corajosa e de longo alcance”, visto que hoje é possível afirmar que a criação da ADL em muito contribuiu para fortalecer a consciência diaconal das comunidades e do ser cristão: “Pois ser comunidade de Cristo e ser discípulo de Cristo significa servir como Cristo serviu; significa acolher e consolar, saciar fome e sede, curar e libertar segundo o exemplo e o mandamento do diácono Jesus Cristo”.
Altmann também lembrou que “como cristãos de confissão luterana, que acentuam a salvação somente por Cristo e somente pela fé, não podemos esquecer que a salvação precisa tornar-se concreta e dinâmica por obras de amor, pela mão estendida aos próximos necessitados. Assim como lançamos o Plano de Ação Missionária com o lema Nenhuma comunidade sem missão – Nenhuma missão sem comunidade, vale da mesma forma dizer: Nenhuma comunidade sem diaconia – Nenhuma diaconia sem comunidade. E isso se torna urgente tanto mais diante do crescente clamor das pessoas cujas condições de vida atualmente estão se deteriorando. Anunciar o Evangelho e fazer missão implica servirmos uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu (1 Pe 4.10), como o enfatizamos com o lema bíblico para este ano.”
Para o pastor Ervino Schmidt foi muito especial representar a Presidência nesta festividade, visto que ele foi o segundo diretor desta instituição, função desempenhada durante cinco anos – de 1970 a 1975 e foi justamente neste período que a ADL foi oficialmente assumida pela IECLB. Ele lembra que no início de 1975 realizou um seminário intensivo de preparação para a bênção da primeira turma de candidatos e candidatas ao diaconato. “Foram, por vezes, dias bastante difíceis, mas também de grande riqueza de vivência na espiritualidade, do serviço e da comunhão” – destacou Ervino.
Texto original disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo/ervino-schmidt-representa-presidencia-no-cinquentenario-da-adl
Texto original disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo/ervino-schmidt-representa-presidencia-no-cinquentenario-da-adl
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
45 anos dedicados à formação de líderes diaconais
Textto: Vera Nunes
A Associação Diacônica Luterana — ADL tem o privilégio de poder comemorar 45 anos de atividades. Um presente bem interessante que recebemos foi este de mantermos contato novamente com os leitores e leitoras do Anuário Evangélico. Desta forma queremos testemunhar o amor de Deus, que com sua graça nos conduziu até aqui, e agradecer às muitas pessoas que, com seu trabalho, colaboração, coletas e doações, tornaram a ADL uma realidade ao longo destes 45 anos.
Uma iniciativa que deu certo
Quase tudo que é grande já foi pequeno um dia. Com a ADL não foi diferente. Num paiol transformado em moradia, um casal de alemães comprometidos e 12 jovens corajosos ensaiaram uma alternativa à falta de líderes nas comunidades da IECLB no Espírito Santo. Isso foi em 22 de fevereiro de 1956 na sede da Paróquia de Serra Pelada, município de Afonso Cláudio. Mas, com certeza, a história começou bem antes desse dia. Talvez durante as longas viagens a cavalo que o pastor fazia entre uma comunidade e outra. Muitas conversas, reflexões e orações guiaram a iniciativa do pastor Artur Schmidt e sua esposa Käthe. A formação de líderes diaconais na IECLB recebia um importante impulso: começava a surgir a primeira casa de formação de diáconos e diáconas na IECLB.
Muitas anedotas, metodologias questionadas, dificuldades financeiras se contrapõem a muitas alegrias, vidas transformadas e líderes formados nestes 45 anos. E o mais importante: sobreviveu aos desafios e continua dando sua contribuição à diaconia e à missão da IECLB.
A ADL hoje
A ADL oferece o Curso Diaconal, de três anos de duração, e está com 68 jovens. 56 são do Espírito Santo e 12 de outros estados: Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná, Mato Grosso e Rondônia. A faixa etária é entre 14 e 28 anos e, com raras exceções, todos são jovens da roça e de pequenas vi-las do interior. Os jovens moram e estudam na ADL; à noite, frequentam o nível médio numa escola estadual.
Do currículo fazem parte Conhecimento Bíblicos, Análise de Conjuntura, Diaconia, Música, Catequética, História Eclesiástica, Dinâmica de Grupo, Educação Artística, Fundamentos da Fé, Agricultura Alternativa, Boas Maneiras, Computação e Estágios em diferentes áreas.
Existem os grupos como coral, grupo de canto, oficina de artes, de restauração, teatro, quarteto de flautas e o caça-talentos. Estes grupos auxiliam na divulgação, na captação de recursos e na manutenção da casa, mas o objetivo maior é o treinamento da habilidade de liderança. Articular uma tarefa em grupo e desempenhá-la é um meio de aprendizado fundamental para o trabalho em comunidades e projetos, mas também para a vida.
Até 1994, o Curso Diaconal oferecido pela ADL permitia o acesso ao Ministério Diaconal na IECLB. A partir das reflexões sobre o Núcleo Teológico Comum na EST (formação básica para todos os ministérios) e até a sua implantação, os egressos e egressas fizeram uma extensão diaconal. E a partir de 1999 então, a formação diaconal oferecida na ADL deixa de formar Obreiros e Obreiras Diaconais para o Ministério Ordenado. No entanto, continua formando líderes diaconais a nível médio. Pois entende que a qualidade da formação oferecida corresponde ao que se necessita ainda em nossa igreja. E não apenas a nível de sacerdócio geral de todos os crentes, mas também remunerado, conforme a possibilidade da comunidade.
Compromisso com a realidade social
Os anos passaram. 1956 já é história, mas a formação de ajudantes de comunidade, como reza o objetivo colocado na época, ainda é uma necessidade. E esta continua sendo a missão da ADL. Igreja, religião e solidariedade podem ser temas conhecidos da juventude, já não assim a dimensão concreta do que isto significa.
Muitos jovens, quando chegam para o Retiro de Seleção, nunca ouviram falar em diaconia; nunca pensaram em seu compromisso cristão na sociedade; nunca perceberam os alcoolistas, meeiros, pessoas portadoras de deficiência ou os idosos como sua responsabilidade; querem estudar na ADL para ter mais chance; alguns sabem que querem tocar instrumento na comunidade, outros querem sair de casa e dar um tempo; outros querem seguir teologia, catequese ou diaconia, talvez fazer um vestibular. E o desafio de fortalecê-los na fé, despertar-lhes o amor pelo serviço na Igreja, para que mais tarde posam servir ao seu Senhor na comunidade, num autêntico espírito diaconal-missionário continua em vigor apesar de os tempos serem outros. Nesta sociedade secularizada, urge fomentar sinais de esperança, ainda que peque-nos, a fim de continuarmos salvaguardando a imagem de Deus impressa no ser humano, de graça. Cada jovem que deixa a ADL vai contribuir nesta tarefa.
Preparação para a vida e diaconia
Valores como iniciar o dia com meditação, fazer as refeições juntos, dividir as tarefas da casa, envolver-se com atividades comunitárias, dividir o quarto, olhar pelo colega doente, aprender a respeitar o outro como a si mesmo, ser independente e responsável, realizar tarefas domésticas, aprender sobre reconciliação, respeitar horários, são fundamentais para receber seu certificado de conclusão. Procuramos fortalecer a convivência, trabalhando os conflitos e acreditando no potencial do jovem. Acreditamos no treinamento e no esforço. A ADL é então essa mistura, difícil de explicar, audaciosa, reformadora, transformadora. É um espaço possível para o jovem se confrontar, se superar ou não, pois, afinal, a vida não é igual para todos. Mas todos devem ter a chance.
Dificuldades
A ADL sempre se manteve com doações e coletas, constituindo-se em testemunho da solidariedade de muitos. Portanto, a cada ano a luta é a mesma. Como equilibrar qualidade e resultados com os custos sempre escassos?
Desafio
A ADL tem uma história e também experiência acumulada. Queremos colocar isto a serviço da formação profissionalizante, com reconhecimento do MEC. Devemos isto aos jovens, para que possam se inserir no mercado de trabalho, com mais facilidade do que agora, em projetos sociais das prefeituras, em Conselhos Tutelares, em sindicatos, em movimentos ou em instituições particulares e de outras denominações, voltadas ao serviço ao próximo.
A autora é diretora da Associação Diacônica Luterana, em Serra Pelada, ES
Texto disponível em http://www.luteranos.com.br/conteudo/45-anos-dedicados-a-formacao-de-lideres-diaconais
sábado, 30 de março de 1996
sexta-feira, 29 de março de 1996
RELATÓRIO D0 PROJETO 'MULHERES TRABALHADORAS DE SERRA PELADA” MULHERES AJUDAM MULHERES A SE AJUDAR
Desde 1989, a ADL vem proporcionando oportunidades para as
mulheres de Serra Pelada se encontrarem. Através de um projeto encaminhado às
mulheres na Alemanha do "Brasil Verein" isso tem sido possível de se
realizar. O elo que une as mulheres da Alemanha com as de Serra Pelada é o
lema: "Mulheres ajudam mulheres a se ajudar".
A Obreira Diaconal Valdete Berger Matheus se dedica em tempo
parcial a este projeto.
O trabalho com mulheres vem sendo desenvolvido através de
visitas, encontros, preparações de eventos, encontros com voluntárias para
cursos de promotoras de saúde, visitação a doentes, idosos e viúvas, cultos
ecuménicos.
Há uma vontade muito grande dessas mulheres em espalhar vida
e demonstrar amor: "não queremos ser escravas, ser oprimidas. Queremos
servir aos outros sim, mas semeando o nosso amor. Queremos espalhar vida e
alegria" (frase dita por uma mulher, que apareceu numa reflexão, em um dos
encontros).
0 desejo de espalhar vida está se concretizando com os
trabalhos na área da Saúde Preventiva, através de trocas de receitas para uma alimentação
sadia, conhecimento do corpo e reflexões gerais sobre a saúde da mulher, da família
e da comunidade. Também através da Medicina Natural Curativa, manipulando remédios
caseiros, fazendo visitas as pessoas doentes.
As dinâmicas de relaxamento, as atividades de lazer para
extravasar as tensões e o cansaço, estão sempre presentes nos encontros.
Quinze mulheres se encontram semanalmente. São as voluntárias
do Curso de Promotoras de Saúde. Estas ajudam a coordenar os trabalhos. Mais
mulheres participam das visitas aos doentes. Encontros maiores 550 promovidos
para que um número maior de mulheres possam participar. Algumas alunas da ADL
acompanharam este processo. Em 96, 0 Grupo de mulheres, junto aos alunos e alunas
do primeiro ano diaconal, planejam montar uma Farmácia Caseira Comunitária na Vila
de Serra Pelada.
Valdete Berger Matheus
Valdete Berger Matheus
Texto extraído do Informativo Diaconal de março de 1996, nº 07, p. 13.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 1996
ADL - 40 anos de história
Autor: Rodolfo Gaede Neto
Até aqui me trouxe Deus. Esta frase do conhecido hino diz o que a Família ADL sente e quer confessar ao se lembrar de seu 402 aniversário. É a Deus que devemos esta caminhada, pois guiou-me com bondade; ele amparou os passos meus com graça e fieldade (Amalia Juliane, 1637 - 1706).
Foi no dia 22 de fevereiro de 1956 que teve início o trabalho de formação diaconal, no distrito de Serra Pelada, município de Afonso Cláudio, Espírito Santo. O pastor Artur Schmidt e sua esposa Käthe, catequista, fundaram, junto à sede da Paróquia de Serra Pelada, a Escola Bíblica Evangélico-Luterana do Espírito Santo, com um grupo de 12 alunos. O objetivo era conduzir jovens a Jesus Cristo, fortalecê-los na fé, despertar-lhes o amor pelo serviço na Igreja para que mais tarde pudessem servir ao seu Senhor na comunidade, num autêntico espírito diaconal-missionário.
O pastor Artur Schmidt agiu a partir das necessidades concretas sentidas no dia-a-dia das comunidades. As diversas e sérias carências na vida comunitária davam-lhe a certeza de que a formação de ajudantes de comunidade não podia mais esperar. Criou-se para isto um curso de dois anos. Aos líderes comunitários que demonstravam persistência no serviço e se sentiam chamados para o serviço diaconal efetivo oferecia-se a possibilidade da continuação dos estudos num curso de formação diaconal. Desde o início esta instituição também acolheu e preparou jovens para o estudo no Instituto Pré-Teológico e na Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo/RS, bem como oportunizou a muitos deles o ingresso em cursos seculares. O início foi feito com recursos muito limitados. A velha casa pastoral serviu de sede; como espaço para as aulas foi usada a antiga escola da comunidade; e o paiol foi ajeitado como dormitório dos rapazes.
O ano de 1960 tem, para a história da diaconia na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, um significado muito importante: dá-se oficialmente início à diaconia masculina, com a fundação da Ordem Caritativa dos Diáconos Evangélico-Luteranos no Brasil (Das Evangelisch — Lutherische Brüderhaus in Brasilien). A Instituição de Serra Pelada torna-se a primeira casa de formação de diáconos na IECLB; a formação é complementada em Rummelsberg, na Alemanha.
Em 1964, a instituição é registrada como Fundação Diacônica Luterana - FDL. Em 1968, é inaugurado o prédio próprio na Vila de Serra Pelada. Em 1979, com novos estatutos, o nome passa a ser o atual Associação Diacônica Luterana - ADL.
Em seus 40 anos de história, aproximadamente 750 jovens já passaram pela ADL. Muitos destes e muitas destas estão engajados e engajadas como voluntários e voluntárias em suas comunidades; ao lado, exercem suas profissões. Há também aqueles e aquelas que assumiram profissionalmente um ministério na Igreja ou em instituições/projetos apoiados pela Igreja: mais de 40 trabalham atualmente como obreiros e obreiras diaconais (filiados à Comunhão de Obreiros Diaconais); o mesmo número é alcançado pela soma de pastores, estudantes de teologia e catequistas da IECLB, que são ex-alunos e ex-alunas da ADL.
O curso diaconal oferecido hoje pela ADL é de nível de 2° grau e tem a duração de três anos; o internato abriga até 65 moças e rapazes.
Com a decisão do 18° Concílio Geral da IECLB, em 1990, pela ordenação ao ministério diaconal, a formação diaconal recebe um novo impulso. Como instituição de formação diaconal, a ADL sente alegria em servir numa Igreja que sabe reconhecer e valorizar o ministério do serviço aos pequeninos irmãos e pequeninas irmãs de Jesus (Mt 25.31-46).
Gratos aos irmãos e às irmãs que dão o seu apoio a esta obra, voltamos às palavras do velho hino, para pedir: Ajuda no porvir, Senhor, com teu poder me guia; revela o teu eterno amor em dor e em alegria, confessarei até morrer: Por Cristo, ó Deus, me hás de valer! Somente em ti confio!
O autor é pastor da IECLB e Diretor-geral da ADL e reside em Serra Pelada, ES
Texto disponível em: ttp://www.luteranos.com.br/conteudo/adl-40-anos-de-historia
Até aqui me trouxe Deus. Esta frase do conhecido hino diz o que a Família ADL sente e quer confessar ao se lembrar de seu 402 aniversário. É a Deus que devemos esta caminhada, pois guiou-me com bondade; ele amparou os passos meus com graça e fieldade (Amalia Juliane, 1637 - 1706).
Foi no dia 22 de fevereiro de 1956 que teve início o trabalho de formação diaconal, no distrito de Serra Pelada, município de Afonso Cláudio, Espírito Santo. O pastor Artur Schmidt e sua esposa Käthe, catequista, fundaram, junto à sede da Paróquia de Serra Pelada, a Escola Bíblica Evangélico-Luterana do Espírito Santo, com um grupo de 12 alunos. O objetivo era conduzir jovens a Jesus Cristo, fortalecê-los na fé, despertar-lhes o amor pelo serviço na Igreja para que mais tarde pudessem servir ao seu Senhor na comunidade, num autêntico espírito diaconal-missionário.
O pastor Artur Schmidt agiu a partir das necessidades concretas sentidas no dia-a-dia das comunidades. As diversas e sérias carências na vida comunitária davam-lhe a certeza de que a formação de ajudantes de comunidade não podia mais esperar. Criou-se para isto um curso de dois anos. Aos líderes comunitários que demonstravam persistência no serviço e se sentiam chamados para o serviço diaconal efetivo oferecia-se a possibilidade da continuação dos estudos num curso de formação diaconal. Desde o início esta instituição também acolheu e preparou jovens para o estudo no Instituto Pré-Teológico e na Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo/RS, bem como oportunizou a muitos deles o ingresso em cursos seculares. O início foi feito com recursos muito limitados. A velha casa pastoral serviu de sede; como espaço para as aulas foi usada a antiga escola da comunidade; e o paiol foi ajeitado como dormitório dos rapazes.
O ano de 1960 tem, para a história da diaconia na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, um significado muito importante: dá-se oficialmente início à diaconia masculina, com a fundação da Ordem Caritativa dos Diáconos Evangélico-Luteranos no Brasil (Das Evangelisch — Lutherische Brüderhaus in Brasilien). A Instituição de Serra Pelada torna-se a primeira casa de formação de diáconos na IECLB; a formação é complementada em Rummelsberg, na Alemanha.
Em 1964, a instituição é registrada como Fundação Diacônica Luterana - FDL. Em 1968, é inaugurado o prédio próprio na Vila de Serra Pelada. Em 1979, com novos estatutos, o nome passa a ser o atual Associação Diacônica Luterana - ADL.
Em seus 40 anos de história, aproximadamente 750 jovens já passaram pela ADL. Muitos destes e muitas destas estão engajados e engajadas como voluntários e voluntárias em suas comunidades; ao lado, exercem suas profissões. Há também aqueles e aquelas que assumiram profissionalmente um ministério na Igreja ou em instituições/projetos apoiados pela Igreja: mais de 40 trabalham atualmente como obreiros e obreiras diaconais (filiados à Comunhão de Obreiros Diaconais); o mesmo número é alcançado pela soma de pastores, estudantes de teologia e catequistas da IECLB, que são ex-alunos e ex-alunas da ADL.
O curso diaconal oferecido hoje pela ADL é de nível de 2° grau e tem a duração de três anos; o internato abriga até 65 moças e rapazes.
Com a decisão do 18° Concílio Geral da IECLB, em 1990, pela ordenação ao ministério diaconal, a formação diaconal recebe um novo impulso. Como instituição de formação diaconal, a ADL sente alegria em servir numa Igreja que sabe reconhecer e valorizar o ministério do serviço aos pequeninos irmãos e pequeninas irmãs de Jesus (Mt 25.31-46).
Gratos aos irmãos e às irmãs que dão o seu apoio a esta obra, voltamos às palavras do velho hino, para pedir: Ajuda no porvir, Senhor, com teu poder me guia; revela o teu eterno amor em dor e em alegria, confessarei até morrer: Por Cristo, ó Deus, me hás de valer! Somente em ti confio!
O autor é pastor da IECLB e Diretor-geral da ADL e reside em Serra Pelada, ES
Texto disponível em: ttp://www.luteranos.com.br/conteudo/adl-40-anos-de-historia



